domingo, 1 de novembro de 2009

Um Castelo Democrático (depois explico)

Subitamente, dei de caras com um homem baixo a tirar-me uma rápida fotografia, desculpando-se num Inglês com sotaque hindu que era apenas para a segurança do sítio. Depois, ao avançar cada vez mais na humidade de betão do solo instável da ponte, no primeiro quarto da ponte, deparei-me com mais um guarda, desta vestido com um uniforme da SPV (um, e, pelas insígnias no colarinho, devia ser um cabo. Falou comigo num Inglês meio arrevesado, pelo facto dele ser coreano e não perceber lá muito bem a língua.

Depois de examinar com o maior dos cuidados a minha tatuagem no braço dos Von Tifon e o meu Bilhete de Identidade à luz da lanterna, autorizou-me a passar pela porta dos piões bruxos, que fazia um incrível desvio à esquerda, onde repeti mais uma vez a mesma história e apresentei os papéis, desta vez, perante um jovem tenente ucraniano de luvas púrpura de veludo que parecia comandar os homens da guarda.

Só há uma forma de lidar eficazmente com estes homenzinhos arrogantes de uniforme que pensam terem sido presenteados com uma altura impressionante de dois metros, olhos flamejantes estranhos ou penetrantes e narizes afincados e finos e orelhas espetadas, e essa forma é mostrarmo-nos mais arrogantes e convencidas que eles.

Portanto, pensei no homem que tinha beijado nessa noite e encarei o tenente com um olhar frio e desdenhoso, capaz de esmagar um príncipe do mais puro-sangue.

- Sou a Menina Jessica Von Tifon, bruxa de primeira classe. – Vociferei. – Eu sei muito bem que você, um duende pequenito sem salário que chegue para alimentar a sua familiazinha miserável, tem de ter estes procedimentos. Mas não se preocupe, meu querido. Não vou ocupar nenhum piquito do seu tempo. O que eu queria de si era se o meu querido homenzinho sem valor nenhum para pagar o verniz que uso é que marque uma audiência com o meu Padrasto. Por favor, informe-o imediatamente da minha presença. Verá que ele me espera e que considerou necessário, a seus modos digamos entre nós os dois, fornecer-me a chave para entrar no castelo durante a realização das festividades do Dia da Magia Negra. – Entreguei-lhe a chave com um ar muito vaidoso, e vi como a arrogância do tenente rendia homenagem à minha. Estava a ser mesmo má.

Por alguns minutos, pensei que estava ser controlada ou pela malvada da minha mãe, ou pelo meu Padrasto, porque o vocabulário muito fino e o sarcasmo de inferioridade não faziam parte da minha conduta normal. Se calhar era uma combinação dos dois.

- Só mais uma coisinha: desejo salientar a delicadeza da minha tarefa, tenente. – Disse eu, baixando a voz. – É essencial que, nesta fase, apenas o meu Padrasto ou o seu assessor sejam informados da minha presença magnifíca, aqui, no Castelo Negro. É muito possível que espiões da Resistência dos Cyborgs Imundos se tenham já infiltrado nas instalações. Compreendeu, amor?

O tenente com luvas púrpura acenou brevemente com a cabeça e voltou a entrar no pequeno escritório de porteiro para fazer um telefonema, enquanto eu limava as unhas, sorrindo vaidosamente, com as luzes do pátio empedrado, aberto ao frio do céu nocturno. Deixa-me contar porque é que ele usava luvas, porque a maior parte dos feiticeiros malvados e das bruxas têm unhas tão compridas como alfinetes e orelhas arrebitadas, muito sensíveis e apuradas, como se fossem radares de qualquer coisa de bom, e não penses que é para as adorar, mas sim para as destruir!... Não há maior prazer para uma bruxa ou para um feiticeiro malvado que fazer murchar uma flor, ou que enganar uma pessoa, ou raptar as crianças.

domingo, 4 de outubro de 2009

O Vale da Morte - o exílio da Europa...

Desculpem lá por me ter atrasado a enviar as cartas à Tifongirl. Esta democracia já não é o que era dantes. Eu sei, ela é a minha enviada nas histórias que eu escrevo, mas também, podia não ser assim tão respondona!

Enfim. Tive de assinar uma autorização - ou confirmação, ou lá o que aquilo é - a jurar pelos meus poderes de bruxa que jamais difamaria o nome de Sua Majestade, o Rei "Kzenah" (diminuitivo do dialecto eslavo bellante para Kasimir) Ivanovitch Malaghetyiev - é um nome muito estranho, eu sei! Mesmo assim, temos de respeitá-lo, porque, com o Rei dos Bruxos, ninguém brinca em serviço! É que eu não devia ter utilizado a forma familiar abellantizada de "Kzenah Malagheti", e, pelos vistos, isso enfureceu muito Sua Excelência. O que eu devia ter utilizado era "O Nosso Pai, o nosso Camarada, o Senhor Kasimir Ivanovitch Malaghetyiev". Sabia lá eu isso. Graças a Deus, Sua Majestade é um porreiraço, e raramente se zanga!

Portanto, tal como toda a gente esperava - e peço, uma vez mais, muitas desculpas por ter demorado em questões secundárias sobre a parte secundária da minha história - aqui vai a continuação da tão esperada aventura da Jessica Von Tifon no Castelo Negro:

Lembrei-me das palavras encorajadoras da Serpente de Fogo nos seus delírios enquanto fumava haxixe «...Enquanto mulher, e enquanto bruxa, a valentia nunca me falhou, muito menos a minha beleza, portanto, ao entrares na antiga morada do nosso querido e amado Rei dos Bruxos, lembra-te das tuas qualidades e feitiços mais poderosos e repete para ti mesma esta frase “os meus peitos nunca vacilam perante nenhum perigo!”....»
Afinal eram patéticas, essas palavras, mesmo assim, era preciso tentar qualquer coisa naquela altura. Respirei bem fundo, levantei-me de imediato e avancei em passadas rápidas e nervosas qual leoa determinada em direcção ao lago.
Mal eu sabia o que me iria impedir! Subitamente, uma figura tétrica e branca surgiu no meio do lago, pairando fantasmagoricamente sobre as águas, enchendo-o de sangue, e a mim, enchendo-me de satânico horror, deixando-me de joelhos, murmurando “Deus nos livre!”
Cabelos flamejantes desgrenhados a voar contra o vento e olhos azuis quais dois fogos-fátuos, envolta em roupas brancas rasgadas, a sangrar na garganta com uma marca de uns lábios pecadores, com cornos pretos a se erguer da cabeça pálida como a cal, tal seria a fantasma da violada e pobre da minha mãe Katharine Von Tifon...?!
Todos os meus cabelos ficaram em pé mal viram aquela visão terrível, a sua voz tenebrosa, porém, lindíssima de se ouvir, murmurou com carinho:
- Minha querida filha, volta para trás, por amor de tudo o que amas nessa tua despreocupada vida, volta para trás...! Ou será tarde demais....tarde demais...
A minha boca conseguiu apenas pronunciar com dificuldade, da quão aterrorizada estava com aquele infernal acontecimento:
- Tarde demais para quê ?
Porém, logo a imagem se desvaneceu com um fumo cinzento e espesso qual uma canja de galinha de cinco litros, seguida por um ribombar de um trovão assustador e uma gargalhada de um homem familiar.
Os meus olhos arregalaram-se e as minhas pernas apressaram-se a dirigir-se para a saída daquele sítio horrível e melancólico. Pensei se não podia utilizar a minha vassoura, ou talvez a minha fiel sombra, mas isso seria em vão: a sombra não teria qualquer poder num lugar onde nem sequer há luz sobrenatural, e a vassoura estava inutilizada devido ao gelo que faz no Vale da Cabeça da Morte. Agora, só as minhas pernas me valeriam para sair imediatamente dali. Infelizmente, no sítio onde a trilha para a saída do vale e dos Alpes das Sereias estava estranhamente bloqueada por pinheiros altos e abundantes. Donde eles teriam saído? Pus a mão forçosamente na cara, nada contente por aquele “acidente”. Ora que essa! Porque razão as coisas têm de ser tão complicadas de se fazer?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Rüdiger Von Tifon - O louco ou o génio?





O Senhor do Espelho Fumegante, Tezcatlipoca; Rwebertan Samiel Di Euncätzio, o Assassino do Amor; Sua Excelência, o Duque Rüdiger Heliodoro Feliciano Von Tifon, "O Louco"; Sua Senoria, o Duque Adrian Friedrich Von Tifon, "O Tigre Azul"; o Capitão-Mor Eddward Goldtheeth..., Reinhard Heydrich, Nicolau Maquiavelli, Vladimir III, Heinrich Himmler, Napoleão I, Ivan IV, o rei Português D. Pedro I....




Se olharmos bem para a história..( e também para a história real, baseada em factos reais), ela está impregnada de feiticeiros poderosos e humanos maquiavélicos e verdadeiramente cruéis. E são de todas nacionalidades, de todos os feitios, tamanhos e de todas as idades. Mas o bruxo e homem mais poderoso de todos, aquele que se sucede ao que foi o anterior senhor do Castelo Negro pode muito bem ser o pior de todos. Não estou a falar de qualquer bruxo, mas sim do Rei dos Bruxos, o Kzenah Ivanovitch Malagheti! Durante quase duzentos e cinquenta e três anos, ele lidou com bruxos ou homens incrivelmente maldosos e sem escrupulos nenhuns. «Porém, aquele com quem melhor lidei e fiquei como amigo daquele encantador cavalheiro foi, sem dúvida alguma, o Duque Rüdiger...! No dia em que ele morreu de verdadeira loucura, eu perdi um valioso amigo, pai e mestre.»




A verdade é que se Kzenah Ivanovitch Malagheti, de origem moscovita, se não tivesse ido para a carreira da Magia Negra, ainda teríamos Rüdiger, "O Louco", a governar, mas sim em toda a comunidade dos bruxos - ainda bem que o meu trisavô já morreu nos inicios do século dezanove, não acham? - com 431 anos em cima! Eu acho que, nos retratos, é muito parecido com o neto, o terrivel Friedrich Von Tifon. Até me atrevo a dizer que o meu avô era uma fotocópia autêntica do meu trisavô! Quando os dois sorriam para os retratos - algo raro em homens do calibre e distinção deles - os sorrisos são iguaizinhos. Estes dois bruxos experientes - o Malagheti e o meu trisavô Rüdiger - lutaram "verbalmente e diplomaticamente" pelo poder da Magia Negra durante mais de cem anos. O mais engraçado é que as disputas deles não eram nem com conspirações ou intrigas, mas sim sobre as melhores leis ou castigos crúeis e "fascinantes" que poderiam aplicar aos seus escravos e servos. Havia sempre, entre ambos um respeito mútuo e uma inegável admiração, mesmo quando estavam embrenhados numa importantíssima discussão intelectual. A verdade é que a maior parte de códigos e leis que influenciam, hoje, diariamente, os Bruxos, são ideias inventadas pelo Rei dos Bruxos, e depois visadas para o plano prático pelo meu trisavô. Nenhum deles se parecia um daqueles "lobos maus" dos contos de fadas, ambos tinham sido educados num meio completamente aristocrático e pacifico, mas ambos sabiam os riscos que a Magia Negra pode causar...! A verdade é que toda a gente tinha medo deles - e ainda há pessoas que têm medo do Malagheti, eu, Jessica Von Tifon, tenho muito medo dele - não por causa de serem crúeis ou de gritarem muito. Nunca ouvi o Rei dos Bruxos gritar, e tampouco ouvi boatos que o "O Louco" fizesse o mesmo. «...O indígena bruxo, vendo uma originalidade tão forte como a Duque Rüdiger von Tifon, não podia explicá-la pela doidice...!»




Homem renascentista, o predecessor de Kzenah Ivanovitch Malagheti espantou meio mundo com a sua finura quase feminina, um excelente bom gosto vienense, acabado de saír das cortes finas na Europa, ele ocupou o Castelo Negro e o Château von Tifon desde 1615 até à data de 1758, quando quis nomeou como sucessor, o "Czar da Justiça" Malagheti. Na comunidade da magia negra, sempre se deu bem com todos os bruxos da sua época, excluindo a Senhora Murakami. A autoritária e severa japonesa, que não podia ouvir um não como resposta, achava completamente indecorosas as paixonetas que Rüdiger tinha sobre ela, e, como nora e mulher, sempre disse que merecia ser respeitada, uma vez que um dos filhos dele tinha casado com ela!




Mas depois havia um lado um pouco despótico nele: governava com um punho de ferro, impondo a lei a todas as classes, desde os mais pobres até à mais alta nobreza da sociedade bellante. Ele era um homem que nunca perdia a calma, mesmo quando a maior parte dos outros bruxos já estavam ou a fugir a sete pés, ou a desembainhar das suas espadas ou a sacar das pistolas. Gostava sempre de analisar cada situação ao pormenor, e detestava ao ponto de proibir no ducado, o famoso sistema de superioridade absoluta que os Deuses exigiam de todas as outras classes. Ele tinha poder para lidar de forma justa de ambos os lados, não era nem bom, nem mau.


Da primeira vez que eu perguntei se o Rei dos Bruxos tinha mesmo o coração terrivelmente emperdenido, Hans von Tifon respondeu-me com um sorriso muito triste, recordando-se do dia em que tiveram de enterrar a Senhora Murakami von Tifon e o filho juntos, na distante ilha de Hokkaido, em 1980.


«Sim, terrivelmente emperdenido...» Ele tinha conhecido três possiveis candidatos a Rei dos Bruxos, dois dos quais eram da família dele, a bisavó dele e o tio-avô. Tive até a sensação quando lhe falei disso, que Hans estava a limpar uma lágrima no canto do olho. Não percebi o que ele que estava a querer dizer com aquela frase. Nunca tinha visto Hans a chorar. Normalmente comporta-se como um verdadeiro bruxo, sempre com o nariz metido nas nuvens - ou talvez nos livros! Quase que nunca fala com ninguém... Nunca o vi também com nenhuma rapariga atrelada a ele. Mas esse facto pouco fez para alterar a sensação de que tinha acontecido algo de grave durante os anos da guerra e nos anos 30. Algo muito mais grave para além do estado da Alemanha e da Segunda Guerra Mundial. Ele tinha acabado de chegar do Castelo Negro...!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Só umas pequenas informações... (ficha psicológica de algumas personagens)

Olá!..... E finalmente, chegámos ao começo das aulas...na próxima quinta-feira, dia 17 de Setembro, vou entrar oficialmente no ano lectivo.

como alguns de vós já devem ter visto no ^Grito da Verdade^, tenho andado um pouco ansiosa por causa disso.

É natural, sim. Mas só de pensar que pode ser o último ano que vou estar num sítio a trabalhar como uma adolescente, até me dá uma coisa!

Não só por causa disso, mas também por que não sei como é que vão ser os horários deste ano. Em vista disso, gostava de esclarecer umas dúvidas sobre as minhas histórias:


Eu sei que o Dia da Magia Negra está a ser muito longo para a Jessica, mas eu ainda quero apresentar o Rei dos Bruxos a ela. A princípio, em 2007, ele não era uma personagem assim tão importante, mas com agora com o desenrolar da história da Sara, é sempre bom ter um mediador entre a Jessica e o Padrasto, que, no dia das bruxas, está um pouco fraco para aparecer "diante dos nossos olhos". Acredito firmemente que vão gostar dele, pois apesar de ser uma personagem secundária, tem a sua própria piada. Para o Kzenah Ivanovitch Malagheti, baseei-me muito numa personificação da própria Rússia: um homem de aparência de quarenta anos deveras excêntrico, muitíssimo simpático, mas que tem a crueldade e a inocência de uma criança. Hipócrita, gosta de de jogar com um pau de dois bicos, embora finja muito bem ter um bom coração, é quase tão mau quanto o primeiro Rei dos Bruxos, o Assassino do Amor. Embora adore a cultura bellante e passe a maior parte do tempo a excrutiná-la, ele não acredita nas tradições e questões conservadoras que essa mesma cultura determina. Para este personagem, não existem classes, nem bruxos, nem deuses, nem cyborgs. Antes de determinar a sentença de um prisioneiro, já anda com um dossier inteiro sobre o mesmo, passa a maior parte do tempo do interrogatório a falar-lhe numa forma muito informal, e com um sorriso sempre encantador de cavalheiro. Amigo da poesia e da arte e tudo que seja intelectual, é quase sempre inacreditável que tenha tantas filhas de uma só mulher! Ele é do tipo de homem que podia chamar ao seu pior inimigo do "meu amigo"! Alguém tinha mesmo de tratar do Castelo Negro!


A Sara é também uma personagem importante, não só por ser a única amiga verdadeira da Jessica, como também revelar, mais cedo ou mais tarde, um pouco do passado e da história antiga da Bellanária. Ela é o protótipo da bellante que quer preservar a cultura e regras e códigos e maneiras de viver de acordo com os antigos. É muito bonita, o que a leva a vários problemas com os bruxos. No entanto, é curiosa, e não deixa de tentar saber mais sobre os homens. Os seus valores são correctos e ingénuos, e nunca deixa de fazer aquilo que acha mais correcto, não só no dever, como também pelo coração e pela honra, três valores fundamentais na antiga civilazação bellante. Tem a etnia de uma típica mulher bellante: morena, com cabelo negro como o almíscar, ela faz sempre lembrar a Jessica muitas das princesas bellantes de há milénios atrás, motivo pelo qual talvez toda a gente que a conhece lhe chame de "Princesa Sara". Fica muito triste ao compreender a natureza ambivalente dos ^Humanos^ e acredita sempre no lado bom das pessoas, nunca deixando de lado o seu bom humor e bom ouvido para a música, que é um dos seus passatempos favoritos, e pelo qual é mais louvada e talentosa.

Como os Deuses desempenham um papel importante no mundo mágico, não os vou retirar da história...principalmente Tezcatlipoca, que representa as tradições e costumes antigos da Bellanária. Espelho Fumegante, o antigo deus azteca que tem as suas próprias opiniões sobre como os modernos políticos humanos manejam a glória dos tempos passados em que os bellantes eram uma raça orgulhosamente nacionalista, dizendo pertencer ao sangue dos Aztecas. Tezcatlipoca, em tempos um deus de índole bélica e impiedosa, é agora um deus satírico e céptico, que passa o tempo na "pior miséria", que é o que ele chama da sua pastelaria e café onde o seu sobrinho, Pedro, o ajuda. Sente-se completamente humilhado por ser forçado a trabalhar no disfarce de um mero cyborg, mas acha que não há outro remédio senão aquele, pois desdenha os tempos em que era cruel para com os Humanos, e decide antes ser compassivo para com eles.
No entanto, isso não o impede de tentar ensinar ao seu sobrinho adoptivo - Pedro, "...um produto deficiente e irresponsável da sociedade ocidental moderna branca..."!- os antigos valores bellantes, o que dá origem a muitas discussões entre o jovem adolescente e o velho deus, muitas delas de cariz de choque entre a cultura ocidental e a cultura bellante ancestral.
Porém, apesar de todos os defeitos que tenha, Tezcatlipoca tem no fundo uma boa alma, e deseja - apesar de todas as asneiras e crimes que cometeu no passado - que o seu país (a Bellanária) e a sua família passem o pesadelo que é viver sobre os dominios da Serpente de Fogo. Sempre preocupado com todos os jovens da história - a Jessica, o Capitão-Mor Goldtheeth, o Pedro e a Sara - ele é uma espécie de pai para os quatro, e faz com que pelo menos, todos aprendam com os seus erros e nunca sigam o caminho do Mal, embora nunca consigam que o oiçam.

domingo, 23 de agosto de 2009

Os Magos também sabem usar a Internet (Parte II)






Os homens bellantes, apesar de serem muito severos e distantes, adoram oferecer tudo aquilo de bom àqueles que mais amam...Eles têm de demonstrar que são guerreiros, que até o próprio Bellante é influenciado por isso: o pronome pessoal "Ele" do singular e no plural é completamente diferente, provavelmente herança do Alemão - em que a terceira pessoal do singular é para o homem "er", para a mulher "sie", o que é um pouco chato, pois o sexo influencia toda a gramática alemã - ou do Nahuatl, em que as mulheres se dirigiam de forma completamente diferente para tratar um homem com quem não eram casadas. "Vjeaez", em Bellante, traduzido, significa Gramática, e vem da palavra "Vjwe", que vem da terceira pessoa para o mais respeitoso, que significa o "Meu Senhor Possuidor"! E ninguém lá fora quer aprender uma língua que a origem da palavra gramática advém da relação por cima masculina!

As mulheres são o precisamente o contrário: educadas, generosas, são elas que se ocupam de fazer sonhar aqueles que visitam as ilhas bellantes. Ontem, eu vi um filme muito engraçado, mas também muito parvo. A tradução em Português de Portugal chama-se "O ABC da Sedução" e mostra bem "A Guerra dos Sexos" pode ser perigosa e desastrosa. Na Bellanária, raramente acontece isso. E porquê? Porque ainda há certos deuses e bruxos conservadores que acham que devem trazer a mulher pela trela! Também não digo que há certas bruxas e deusas muito estúpidas - se o "Senhor Tezcatlipoca" me ouvisse!; é uma expressão moderna que se usa para expressar na Bellanária para dizer "perdão" quando se diz um impropério - mas sinceramente!






Mago da Música…
Podes dar-me uma prova que és de confiança?
Já ouvi falar em certos raptores tarados que utlizam a net para seu próprio benefício …Olha que já tive muitas más-experiência por ter confiado em estranhos.


Assinado: Princesa

Dois minutos depois, surgiu uma mensagem à reposta da minha amiga:

Princesa…

Tens a minha palavra em como sou um rapaz honesto e decente.
Eu perdoo a tua sensatez, Princesa, afinal, só nos conhecemos há dois minutos. Gostaria de poder trocar mais umas palavras contigo, no entanto, sou um rapaz com muitos ofícios, e tenho mesmo de ir.

Mas, para não ficares com saudades minhas, mando-te uma rosa e um poema.
Amanhã à tarde dizes-me se gostaste ou não.


J P.S: É do Assassino do Amor, mas finge que sou eu que escrevi só para ti! Vês, também sou romântico! LoL

Dorme bem, querida princesinha.



dorme bem, querida princesinha,



A mamã foi-se embora,



Mas o Tio vai ficar,



Para dar a amora,



Do amor dos sábios,



Aos teus doces lábios!



sábado, 8 de agosto de 2009

Os Magos também sabem usar a Internet (Parte I)


Subitamente, quando ia desistir e beber três copos de chocolate quente para adormecer completamente, a Sara ouviu uma campainha vinda do seu computador. Uma resposta ao seu pedido que tinha posto no MSN a ver se conseguia conhecer alguém.
Um brilho de esperança e alegria acendeu o rosto pálido da jovem rapariga, e, muito feliz, agora com lágrimas de rejúbilo nos olhos, clicou com força na opção “abrir”, e surgiu perante os seus olhos uma mensagem que dizia:

Querida Princesa da Música, serva da Senhora Shamanarta, Aquela que é a criança e filha de Saraswati…a que se banha nos rios Shmanhir e Bênção...

Logo que te vi, fiquei cativado com a tua bondade e luz que emanas diante de tudo e todos.
Há semanas que ando a seguir-te, e por fim descobri o teu Email – é assim que se escreve, não é? Perdoa a minha falta de jeito em tecnologia.

Gostarias de ser minha amiga?

J P.S: tenho um bom sentido de humor.

Assinado: Mago da Música


Ao ver que tinha um admirador online, a Sara entusiasmou-se. Lembrou-se então, daquela famosa história que a Avó Murakami tinha-lhe contado sobre uma deusa semelhante a Saraswati, talvez uma possivel vida passada: uma deusa sábia, que tinha sido encantada pelas palavras doces, suaves e carinhosas de um implacável e maldoso rei dragão que tiranizava uma aldeia vizinha da sua ilha. A deusa equivalente a Shamanarta, a japonesa Benzaiten, a principio, ficou enojada e começou a odiá-lo, mas depois, misericordiosa como era, apaixonou-se pelo dragão, que tão enamorado estava dela, lhe prometeu emendar-se e deixar os caminhos do mal.
Recordou-se então da sua própria história...Também lhe tinha acontecido aquilo...um monstro a apaixonar-se por uma linda e divina princesa não era novidade na Bellanária. Os Bellantes adoravam essas histórias de amores proibidos. Um dos grandes exemplos eram os romances e desventuras do Assassino do Amor com fadas, princesas, e até mesmo parentas afastadas.
Só que Sara estava farta de histórias de amores impossiveis. Queria um amor verdadeiro, um em que ela pudesse acreditar....No entanto, ali estava aquele misterioso Mago da Música, a dizer aqueles docinhos de nada...O seu coração, mais uma vez, derreteu-se, e, com um sorriso, releu uma vez mais, as palavras eloquentes do tal admirador...Pelo menos tinha sentido de humor, isso era uma boa coisa. O último "admirador secreto" que ela conhecera, era um nazi, e ainda por cima, tinha-a raptado para a casa dele, na Alemanha. Só três dias depois é que conseguiu ser salva! Mas, porque é que estava a lembrar-se daquelas coisas? Aquilo fora ´há mais de cinquenta anos, agora estava no século vinte e um, não tinha razões nenhumas para ter medo de fantasmas de nazis já mortos! Com um sorriso, ela começou a teclar...

terça-feira, 28 de julho de 2009

O Sonho, o Amor de uma Heroína (Parte III)

As lágrimas passavam-lhe futilmente pela cara, e, limpando-as inocentemente qual pomba branca sincera e tímida; escondeu a cabeça sobre o cabelo preto lindo, pois não queria que mais ninguém a visse, a ela e à sua desgraça.
Será que nunca mais ia ter um homem certo, um príncipe encantado…?!
Ela é boa demais para uma terra amaldiçoada e má como esta, não há nenhum homem que se possa comparar com ela. Nenhum, e era isso mesmo o que ela sentia.
Por vezes, até penso se ela não é um anjo que perdeu as asas ao caír por força do Diabo, invejoso da beleza pura da princesa da luz.
Seria aquela uma filha de Deus, vinda do Céu, para melhorar aquela terra.
Olha que não estou a cometer blasfémia, e a todos ela dá pena, se calhar só o Euncätzio, o Tsesustan e o meu Padrasto não têm pena dela. Só de pensar que aquela frágil flor-de-estufa está sozinha e perdida no mundo. Perdoa-me a expressão, mas é isso mesmo que ela é!
Ao leres este livro, reparaste logo que Sara é uma das personagens mais sentimentais da minha história real, e é verdade, o problema é que há poucas pessoas hoje em dia que ligam ao interior, mas sim ao exterior. É por isso que muitas vezes, ela é julgada pelo seu exterior, e não pelo interior. Arranja sarilhos só por ser bonita e muitas das fadas que ainda existem também apanham por isso. Ela estava farta de ser tratada como uma obra-prima, uma pintura fantástica perdida de um antigo mestre que todos os homens quisessem posssuir. Para ela, já bastava aquele sofrimento por que estava a passar, e passou durante longos minutos a chorar.
O seu espírito bom não aguentava mais, e não poderia viver com aquele peso sobre as costas, que a apertava cada vez mais. Apesar de já ter queixado, há mais de trinta anos - desde os tempos de 1948 em que o PR (o Palácio das Reuniões) declarou que a Princesa Swerdinada Arco-íris Di Neptunvs fora coroada com todos os louros e pomposidade como Imperatriz do Império Constituticional Divino do Arquipélago das Ilhas da Bellanária! Um título demasiado palavreado para a nossa querida "Serpente de Fogo". A Sara já estava cá muito antes da misteriosa morte do "Papá" da Serpente de Fogo (o rei Neptuno), no dia fastidioso de 13 de Abril de 1939, pouco antes da Itália invadir a Albânia. Durante e depois da guerra, o Palácio das Reuniões assumiu o cargo de todos os poderes das ilhas de Shunrasen, Jelnarar e da Bellanária "Livre" - chamada assim por causa da ocupação nazi de 1940, no inicio de Janeiro, da região norte, desde os Alpes das Sereias até à Cidade Perdida, com os Nazis a ocuparem quase dois terços da grande ilha da Bellanária, chamando essa parte de Protectorado Von Tifon (foram tão simpáticos que até deram o nome da minha família!) - que tinha as suas fronteiras bem desenhadas, um terço da ilha da Fronteira era usada para os campos de concentração nazis, a Floresta de Cristal estava dividida em duas, uma, próspera e bela, verde, e outra, fraca e devastada pelas bombas dos Aliados.
Ainda se lembravam, nessas alturas, como o Comandante e Senhor Tezcatlipoca e a Princesa Swerdinada mantinham uma relação neutral entre o Eixo e os Aliados. Enquanto que, em Londres, o deus azteca, na Segunda Grande Guerra, conversava intimamente com o Churchill para discutir estratégias de serviços secretos, a nossa querida Serpente de Fogo equilibrava a balança, tendo conversas muito privadas com o Führer e Companhia das SS.

Enquanto que a minha mãe trabalhava para a Gestapo nazi, a minha tia Charlotte escrevia para um pasquim comunista para entregar nos países ocupados. A minha avó "Alice Von Tifon" tinha sido nomeada por Joseph Goebbels como a sua representante na Bellanária ocupada. Digamos apenas que foram uns tempos muito conturbados para a Sara, com guerras para cá, guerras para lá, negociações para aqui, negociações para lá...Ela deve ter trabalhado muito, pois já não se lembra muito desses tempos. Depois dos atentados a vários funcionários do Palácio das Reuniões, em 1946, no pós-guerra, o PR começou a ficar assustado e decidiu nomear Tezcatlipoca ( o chefe dos Serviços Secretos da Bellanária nessa altura) e os seus alunos para governarem a antiga Bellanária "Von Tifon". Mas, em 1947, o grande Deus da Guerra e das Trevas e da Magia Negra, estava farto de aturar os partidos mais esquerdistas no Palácio das Reuniões, que tinham intenções claras de assassinar os "fascistas" (a minha família) como exemplo para as "vitimas bellantes que tinham levado uma lavagem ao cérebro pelos Nazis". Obviamente contrário ás opiniões dos comunistas, o deus azteca (de antigas crenças mexicanas) quis logo apresentar a sua demissão como deus representante do seu panteão mitológico com o seguinte discurso «... Se querem um país todo vermelho, não contem comigo! Adeus...até ao meu regresso!...»